Vida sexual saudável

A sexualidade é um dos assuntos principais da humanidade, porque é através dela que a espécie se reproduz e permanece, mas também é fonte de prazer e autorregulação, nos quais quero focar neste texto. A educação sexual sempre foi deficitária tanto a nível doméstico como também na rede escolar mas este assunto interessa tanto a uma criança, quando quer saber de onde vem os bebês, ao notar as diferenças sexuais entre os sexos, como também os adolescentes, que sentem nos seus corpos o efeito de seus hormônios nas sensações e transformações corporais. Então, isso já justifica uma melhor educação sexual junto a estes jovens, que quando mal informados e não raro, muitas vezes com uma educação repressora e neurótica, se tornam adultos com uma variedade grande de pertubações emocionais e até fisiológicas.

Reprodução

A mulher nasce com todos os óvulos que terá em sua vida e não produz nenhum óvulo novo durante a vida, na puberdade uma jovem chega a ter entre 300 mil e 500 mil óvulos, e é mais fértil entre 20 anos e no início dos 30 e, depois dos meados dos 30, a fertilidade diminui até a menopausa.

Tendo estes dados, presumimos que é impossível que todos estes óvulos sejam usados para serem fertilizados, mas sabemos que em décadas passadas, algumas mulheres chegavam a ter por volta de 20 filhos, como é o caso de uma senhora de Divinópolis, atualmente com 75 anos e que já possui 100 netos e bisnetos, mas são casos raros e atualmente os casais, no máximo, pensam em dois filhos.

A vida sexual vai muito além de ser usada somente para reprodução, mas há uma função muito importante para o funcionamento orgânico e emocional, que é a autorregulação celular.

Autorregulação

Quem melhor falou sobre o assunto foi Wilhelm Reich (1897-1957), médico e psicanalista que desenvolveu a teoria da orgonomia (estudo da energia vital) e em suas pesquisas provou a importância da autorregulação para uma vida sexual e emocional saudável. Afinal, o que é a autorregulação?

Cada um de nós nasceu com um quantum de energia biológica, que se difere de indivíduo para outro em quantidade, usado para as funções fisiológicas, expressões emocionais e para a vida sexual. A sexualidade nos acompanha desde de nossa concepção e não pode ser confundida com genitalidade ou relação sexual entre adultos, o que normalmente acontece. Estamos falando de energia sexual, que já se manifesta na relação do bebê com sua mãe, seja na amamentação, quando o sugar movimenta esta energia nos lábios da criança e na troca afetiva entre ambos. A sexualidade do bebê está concentrada em sua boca, por aonde vai ocorrer a descarga energética, resultando na autorregulação de sua energia, mas o bebê vai continuar a se alimentar, respirar, ser exposto ao sol, tudo que vai aumentar este quantum energético e logo vai precisar descarregar novamente esse excesso, que quando não ocorre, vai resultar em uma estase, que é uma estagnação dessa energia. Para a mulher, o parto, as menstruações, sua relação com seu bebê, são formas também de autorregulação, principalmente o parto que é uma grande descarga energética, bem como suas relações sexuais com seu parceiro.

Esse mesmo processo nos acompanha em nossa vida e o indivíduo adulto vai descarregar esta energia no prazer de sua vida sexual, suas expressões emocionais, relações afetivas, seu trabalho e criatividade. E quando o indivíduo tiver uma vida saudável afetiva e sexualmente, essa energia deverá se direcionar para região genital, mas como vivemos em uma sociedade que atrapalha a espontaneidade humana, ela vai sendo bloqueada em regiões específicas no corpo, o que Reich chamou de segmentos, também variando de pessoa para pessoa conforme sua história de vida. Então resumindo, a autorregulação é o processo em que as células retornam ao seu quantum original energético, através de uma descarga sexual saudável, mas quando a pessoa não tem esta possibilidade, a energia acumulada, que chamamos de estase, é utilizada para sintomas neuróticos, perversões sexuais, relações doentias de casais, distúrbios fisiológicos, angústias, síndrome do pânico, depressões, até mesmo a formação de tumores. O organismo vai ter que fazer algo para dar conta do excesso de energia no corpo.

Que energia é esta?

Wilhelm Reich, neurologista e psiquiatra, formou-se psicanalista na Sociedade de Psicanálise de Viena, a convite de Sigmund Freud, se interessou em estudar a fundo a psicologia, psicanálise, biologia, sociologia, educação, química, física, sexologia, filosofia e vários outros. Pesquisou desde o ser humano e as plantas até as galáxias e a atmosfera, colocando sua multiplicidade dentro de uma ciência que criou denominada Orgonomia, estudo da energia vital, pesquisada por ele em laboratório por muitos anos e a unidade desta energia chamou de bion, que pode ser visualidade e medida com aparelhos próprios.

Identificou esta energia tanto nos seres vivos como na natureza e constatou que se trata de uma energia primária, ou seja, precede o próprio átomo, mas quanto à sexualidade, Reich verificou que indivíduos que possuem uma vida sexual limitada por repressões educativas, apresentam traços neuróticos no comportamento psicológico e bloqueios energéticos, que se apresentam como contrações musculares, ao passo que quando recuperavam a capacidade de autorregulação, os sintomas neuróticos diminuíam e até desapareciam. Tais pesquisas podem ser encontradas no seu livro A Função do Orgasmo¹ e na transição da psicanálise para seu trabalho original pode ser encontrado no livro Análise do Caráter². Reich escreveu muitos livros sobre seu trabalho e alguns são de análise social³.

Terapia Reichiana

No trabalho terapêutico com os pacientes, busca-se o desbloqueio energético nos sete segmentos corporais que circundam o corpo, a saber: ocular, oral, cervical, torácico, diafragmático, abdominal e pélvico. Reich também definiu três camadas corporais, a mais profunda o cerne biológico, que nasce com o indivíduo e que é a parte mais autêntica da pessoa, uma camada intermediária, que seria a camada de perversões, muito focada pela psicanálise e a camada exterior, chamada de social, que é a parte que se relaciona com o mundo, que é a mais consciente para a própria pessoa e por onde começa o trabalho reichiano.

A medida que vai ocorrendo o desbloqueio, a energia corporal retoma seu caminho original e o corpo passa a ter um funcionalidade mais saudável, incluindo o funcionamento da mente, pois a pessoa passa a ter um melhor contato com a realidade do mundo e consigo mesmo, as fantasias neuróticas conscientes ou inconscientes vão perdendo a função sobre o comportamento, já que a energia passa a ser mais utilizada no contemporâneo, diminuindo as fixações com o passado.

Vida sexual saudável

Como visto, a vida sexual vai muito além do que somente uma relação sexual, mas também podemos falar sobre as relações sexuais. Já que a pessoa passa a ter mais saúde em seu funcionamento mental e corporal, suas escolhas de parceiros também se tornam mais saudáveis.

Se uma pessoa tinha o costume de escolher parceiros que lhe causava sofrimentos, e quase sempre são reflexos de uma relação dolorosa com as figuras parentais, vai buscar se relacionar com pessoas que trazem alegria, cumplicidade, palavras e atos de amor, bem diferente dos relacionamentos anteriores.

Uma vida sexual saudável vem sempre acompanhada de afetos saudáveis, esta dupla é essencial para se sentir prazer na relação. A pessoa consegue se entregar com mais plenitude, quando há um vínculo de confiabilidade e reciprocidade, o que se constrói conforme vai ocorrendo um aprofundamento e exposição progressiva sem medo da culpa, fator que tem influenciado de forma destrutiva nas relações. O parceiro não é a sua “metade da laranja” mas uma existência junto à sua.

Segundo Reich “Potência orgástica é capacidade de abandonar-se, livre de quaisquer inibições, ao fluxo da energia biológica; a capacidade de descarregar completamente a excitação sexual reprimida, por meio de involuntárias e agradáveis convulsões do corpo”

Ter uma vida sexual saudável é esta capacidade de entrega, a ponto de ter a sensação de derretimento durante o orgasmo e após, um relaxamento inconfundível, fazendo com que o indivíduo se sinta pleno e feliz. O resultado deste prazer é a pessoa se sentir mais feliz consigo em suas sensações, nos seus relacionamentos, no seu trabalho, na forma de ver a vida, pois sua autoestima estará do jeito que deve estar, se conhecendo e se amando.

Terapeutas Corporais Reichianos:

José Carlos Bastos

Sônia Lopes

Quem somos

1. Este livro sintetiza o trabalho médico e científico de Wilhelm Reich com o organismo humano em um período de vinte anos, e apresenta o desenvolvimento desse trabalho em sua rápida progressão da esfera da psicologia para a da biologia.
A descoberta do orgônio foi o resultado de uma profunda investigação clínica do conceito de "energia psíquica", a princípio na esfera da psiquiatria. A experiência tem mostrado, acima de qualquer dúvida, que o conhecimento das funções emocionais da energia biológica é indispensável para a compreensão das funções fisiológicas e físicas. As emoções biológicas que governam os processos psíquicos são em si próprias, a expressão imediata de uma energia estritamente física, o orgônio cósmico. (Fonte: Livraria da Travessia)

2. Em 1993, depois da publicação de A função do orgasmo, apareceu a segunda obra importante de Wilhelm Reich, Análise do caráter, trabalho saudado por muitos psicanalistas como o que de melhor e mais profundo havia sobre a psicoterapia.
Pouco depois, a divulgação do livro foi proibida na Alemanha fascista, e, em 1934, a Associação Internacional de Psicanálise excluiria Reich. Só em 1945 Análise do caráter seria novamente publicado, nos Estados Unidos.
Em contraste com A função do orgasmo, Análise do caráter é um compêndio. Foi escrito para o analista e desenvolve com exatidão – com numerosos exemplos clínicos – a singular técnica terapêutica de Reich. (Fonte: Livraria da Travessia)

3. Outros títulos

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